quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Outra face de um mesmo nós

"Por traz do espelho:


Amor, não sinta-se mal se tudo que as palavras lhe fizeram acreditar escorregou por entre os dedos entrelaçados, se assim passou, não era ”amor”, amor. Confesso que melancolia em alto grau não é o forte, já nasci saturada de drama, o suficiente para um milênio, não permito-me mais contemplar mero capricho. 

Se andando juntos, vocês se desencontravam, vale mais a contrapartida e um encontro por esbarrão, cara-a-cara, pele com pele, olho com olho e…


E tudo que não existia, ou talvez sim, saia rolando no chão, feito pecinhas de quebra-cabeça desmontadas. Mas não se cobre, não se cobre amor, não é sua obrigação saber para aonde vai ou para onde foi, apenas dê um sorriso ou dois e mais meia palavra que já satisfaz tal esbarrão. 


E jamais, jamais se esqueça que esse encontro pode ser por uma noite ou por uma eternidade, o que vale é a proporção. Se a proporção de medo for a mesma de surpresa, curta, se a proporção de ansiedade for a mesma de coragem, curta, se a proporção de riso for a mesma de olhares, curta.

Só não caia em tentação e queira repetir o processo, as coisas sofrem metamorfose e só as findas é que ficarão. 


Se o processo se repetir, se, mas só se repetir, lembre-se, nada será igual, poderá ser melhor ou pior, mas nunca, jamais será igual, porque o que passou, passou, o tempo levou cada migalha consigo para sua vastidão e trouxe de volta outro eu de uma mesma pessoa, afinal, somos vários dentro de nós mesmo, somos tanto que nem nós próprios nos reconhecemos as vezes. 

Por isso fique grata pelo tempo trazer de volta um outro ”eu” e talvez, um outro ”nós”, de vocês mesmo. Que pode ou não esbarrarem-se continuamente, apenas curta." 

(Gabriela Camargo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário