Somos compostos de extremos: o extremo do nada e o extremo do tudo. Embora o meio-termo seja mencionado algumas vezes, ele é apenas um disfarce para o que realmente há em questão.
O nada invade nossas almas, ocupa nossas mentes de um vácuo tão profundo que sentimos a agonia da existência. Enquanto o tudo nos arrebata com picos de intensidade extremamente insana, quando felizes, e mórbida, quando tristes. O tudo não envolve apenas momentos de satisfação, pois se estamos dilacerados a sensação também é de ter tudo, seja toda a tristeza do mundo ou toda dor inimaginável.
Eis então a diferença primordial entre o tudo e o nada, se temos a dor logo temos algo, no entanto se não ansiamos possuir nem mesmo a dor, aí sim vazio preenche toda a nossa essência. E o que é melhor, ter dor (tudo) ou o vácuo (nada)?
Veja, o contraste estabelecido pela dor e pelo nada é perceptível a partir do instante que sentimos. Se a opção for ”sentir” a dor é incansavelmente melhor que o nada, porém se a escolha for o nada, seremos apenas amebas ambulantes.
Tanto uma existência instintivamente perturbadora quanto uma miserável terão o mesmo fim, porém a sutil diferença de ser e apenas existir é vão definir os seus extremos.
(Gabriela Camargo)
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