Quem ousaria saber que a mais leve brisa desmoronaria sua face?
Quem?
Há um paradoxo que habita nosso inconsciente e envolvido por nosso caráter camufla o nosso interior, ao ponto que nem mesmo as janelas da alma possam identificar tal fragilidade humana. Somos seres vulneráveis, oscilamos entre enumeras frequências, as quais exprimem, supostamente, nosso ''ser''.
Somos mais que um conjunto de tecidos vascularizados, praticamos várias outras atividades além de trocas gasosas, respirados muito além do nosso pulmão.
Ocupamos um papel na existência, um papel que exprime e envolve uma série de fatores morais, ilegais e verossímil. O conjunto de todas essas peculiaridades resulta em nosso Eu, ou melhor, em um dos nossos ''Eus''.
E pobres essências, sempre acabam surradas no fundo do abismo...
Cobrimos nossa face com uma máscara e damos vida a um personagem de nós mesmos, calculamos suas ações, seus pensamentos, seus sentimentos, tudo seguindo uma linha tênue imposta pelos limites, ditos sociais.
Que pensamento podre!
Vivemos dias miseráveis com pessoas que nem se quer são reais, um desperdício.
Por traz do retrato de beleza elfica, há uma alma em decomposição, esse sorriso tão envolvente, quando vistos pelos olhos da verdade, desfaz-se em desprezíveis cacos, e então toda a carcaça estimada como perfeita é levada pela mais sutil brisa, seus pedaços estilhaçados dançam com o vento em direção ao nada, com a mais calma morbidez...
E no final volta-se à personalidade como a um término de linha, a única matéria restante é o nosso mais íntimo ser, aquele que ainda é criança, sem máscara, sem véu, sem nada.
Gabriela Camargo
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