Sim, eu já pensei em suicídio. Confesso que colocar um fim em tudo isso, é bastante tentador. Mas, imagino como seja a passagem dessa vida para uma melhor. Melhor?
O outro lado é desconhecido, tudo que sabemos nos induziram a imaginar, porém, na verdade, ninguém nunca retornou para uma visitinha e nem comentou o quão gratificante é o outro nível ou quantos anjinhos ficam tocando harpas. Se é que existe algum plano superior. Indiferente disso, o céu não é um lugar que sonoramente me agrada. Convenhamos que passar a eternidade ouvindo ”pelimpados” angelicais e o quanto a humanidade tende à evoluir, não seja muito atraente. Logo, desesperadamente sou a favor do Reino de Hades.
Voltemos a passagem. Se eu me matasse iria optar pelo enforcamento, é prático e clássico. Sem contar que roxo é uma das minhas cores favoritas, imagine: morrer roxinha? Alguma vantagem havia de ter. Enfim, sem devaneios tolos, mas que é irresistível divagar sobre esses detalhes sórdidos, é.
De todo modo, aquele súbito instante que, sem querer, pulo do banquinho e ocasionalmente o fio enferrujado do varal estrangula minha garganta, nesse súbito instante em que me conscientizo do que está acontecendo, que o plano de partir, já não é mais somente um plano e sim um fato comprovado e consumado, nesse súbito instante em que um filme começa a retroceder na minha cabeça, com todas as memórias e tempos perdidos, com os risos e choros contidos, com todas as angústias e corações partidos. Nesse momento, pergunto-me até que ponto vale a pena acabar com um sofrimento para começar outro.
Não mais me importo com o fracasso da existência humana, mais especificadamente, a minha. Nem mesmo tenho vontade de cometer alguns assassinatos, sem querer, é claro. E nem incendiar aquela pessoa desprezível que teima em questionar seus atos e pressionar suas decisões. Nada disso mais é relevante, aliás, nem que eu quisesse, né?! O máximo que conseguiria seria bancar a Lince Negra (desejo ardentemente que tenham assistido X- Man). Enfim, não é relevante, não somente pelos motivos óbvios, mas também por um aparente remorso.
Remorso de ter me rendido tão facilmente, remorso de ter deixado a preguiça reinar e por isso não ter lutado bravamente. Remorso impetuoso de carregar esse sofrimento, agora, eterno.
É por isso que não ponho um basta nessa angústia. E não pela esperança de que o universo, finalmente, vá conspirar a meu favor. É por não saber que tipo de fardo irei carregar. Como o otimismo não é meu forte, não trocarei o certo pelo duvidoso. Ah! Esqueci de comentar que todo suicida é covarde.
Gabriela Camargo
Nenhum comentário:
Postar um comentário